Diário de uma perereca depilada

Setembro 25, 2008 at 7:49 pm | In Pérolas de mamãe | 2 Comments

Recebi de minha mãe um e-mail com esse texto. Fiquei com cãibra no rosto de tanto rir. O texto é comprido, mas quando se começa a ler, não dá vontade de parar! Vale a pena. Com certeza, vocês darão muitas gargalhadas! Segue…

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render
à depilação na virilha.
Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.
Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra
coisa.
Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso
aconteceria.
Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma
indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra
fazer, quis fazer direito.
- Cavada mesmo.
- Amanhã, às… Deixa eu ver…13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque
sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar
chique. Escolhi uma calcinha  apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando.
Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal.
Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor.
De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas.
Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue. – Já senti um frio na barriga ali
mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho:
uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim.
Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha.
Ali estavam os aparelhos de tortura.
Vi coisas estranhas.
Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça.
Meu Deus, era O Albergue mesmo.
De repente ela vem com um barbante na mão.
Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo,
mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da
calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- É… é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da
Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais
ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia por.ra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um
líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga
cada perna pra um lado.
- Ar.reg.anha.da, né?
Ela riu. Que situação.
E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha
Virgem.
Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal.
Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada
havia sobrado na maca.
Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto.
Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de
ligar para o Samu.
Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era
tudo supernatural.Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa.
Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa “que garota estranha”.
Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou.
A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era
tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.

Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ?

Pu.tz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de
Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pen.telh.inho , ele teria balançado com a
respiração das duas.
Estavam bem perto dali.
Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo.
“Me leva daqui, Deus, me teletransporta”.
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada.
Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos
resistentes da pele já dolorida.
E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope.
Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bu.nda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar.
Eu não podia ver o que Pê via.
Mas ela estava  de cara para ele, o olho que nada vê.
Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena?
Nem minha ginecologista.
Quis chorar, gritar, pei.dar na cara dela, como se pudesse envenená-la.
Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido
perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim… sonhei de novo com o c.u de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade.
Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks.
Não sabia se ficava com  mais medo da puxada ou com vergonha da situação.
Sei que ela deve ver mil

c.us por dia.
Aliás, isso até alivia minha situação.
Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos?
E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento.
Pê puxou a cera.
Achei que a bun.da tivesse ido toda embora.
Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali.
Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais.
Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais,
xin.gam.entos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Por.ra.. Por que não arrancou tudo de uma vez?
Virei e segurei novamente a bandinha.
E então, piora. A bro.aca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos.
Era dor demais, vergonha demais.
Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito.
Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa me.rda…
- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo.
Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho?
Mas o choque foi substituído por uma total redenção.
Ela viu tudo, da perereca ao c.u.
O que seria baixar a calcinha?
E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar…namorar… eu estava com sede de vingança.
Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso.
Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas.
Queria virar feminista, morrer peluda, protestar  contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada e matar o

primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada.!!!

primeiro homem que ver e não comentar absolutamente nada.!!!

Foto estranha, com gente esquisita

Julho 10, 2008 at 12:40 pm | In Cultura inútil, Desabafo, Momentos de ira, Pérolas de mamãe | 2 Comments

Nossos amigos (na maioria das vezes) e mães (sempre) querem nos ver em situações um tanto quanto ridículas. Principalmente quando o assunto é foto.

Máscaras, antenas, perucas, fantasias, chapéus, penduricalhos, poses, roupas, produções pobres e o pior, um dos cenários mais utilizados por nossas mães para tirar aquela foto memorével: NA FRENTE DE UMA PORTA (de preferência, a da entrada).

Quem nunca tirou uma foto na frente de uma porta, que atire a primeira pedra! Ou com máscara de carnaval. Ou então, com a máscara de coelho, agarrado aos ovos de Páscoa. Ou, até, abraçado com os panetones, fazendo cara de “olha! Ganhei vários panetones esse ano!”. E a melhor: produção junina, com cada mãozinha segurando uma ponta do vestido, joelhos semi-flexionados, cabeça pendendo para o lado e All Star (tudo bem… Sempre fui demodê). 

Sempre detestei tirar foto. Nunca fui fotogênica. E na maioria das vezes, quando tiram uma foto sem minha autorização, lá estou com a boca escancarada, prestes a abocanhar um sanduíche, um pedação de pizza ou uma trufa gigantesca. Além das fotos tiradas de supetão, quando você sai bocejando, com cara de doida, descabelada, com uma couve no dente, olhando para o infinito ou com cara de babaca.

Chega de fotos forçadas, cenários e produções maternas, portas, roupas esdrúxulas e adjacentes!

Obrigada! xD

Xiiiiiiiiis

Mal cantadas

Maio 24, 2008 at 9:29 pm | In Pérolas de mamãe | 2 Comments

Mais uma de mamãe…

Não existe mulher difícil. O que tem é mulher mal cantada. O cara precisa ser competente o suficiente pra arrebatar o coraçãozinho da dama, senão, cai fora!

Meu Deus! Lembrei de uma cantada que recebi há algum tempo… Um homem feio me viu e soltou essa pérola: “sou um caminhão velho… Quer ser minha carroceria?”. Socorro!

Outra que nunca esquecerei foi quando estava eu a esperar os carros passarem pra eu atravessar a rua em segurança, quando de repente, aparece uma Brasilia acabada, que estava puxando um Fusca mais pau velho ainda. Dentro do Fusca, um sexagenário, horroroso, careca, com uma regatinha toda arrombada, que um dia já foi branca, mas agora é bege, com o “meia-direita desfalcado”. Então, ao passar por mim, diz: “gostosa!”. Jesus amado! Não sabia se ria, chorava, xingava…

Homens! Pelo amor de Deus! Sejam criativos, mas com delicadeza, educação e respeito! Do jeito que está, não dá pra continuar! Faça-me o favor , viu?

Perdeu? Tem certeza?

Maio 14, 2008 at 9:47 pm | In Pérolas de mamãe | 2 Comments

Ah! como é bom conversar com minha mãe! Aprendo cada coisa inútil!

Hoje mesmo, ela falava: “Quando perguntam se você ‘perdeu a virgindade’, a resposta mais aceitável é ‘não’. Virgindade você não perde! VOCÊ DÁ! Se uma pessoa estiver andando pela rua e sua chave cair, sem ela perceber, e continuar andando, isso sim é perder.”

Não tiro a razão de minha mamãe! Você não sai de casa, depois, quando volta, olha pra baixo e diz: “xiii… perdi meu hímen! Será que foi no ônibus?!”.

O repolho

Maio 12, 2008 at 11:36 pm | In Pérolas de mamãe | 1 Comment

Repolho

Certa vez estávamos a conversar, minha mãe e eu, sobre os bons tempos que não voltam mais. Foi quando ela me falou uma coisa que achei muito interessante: em festas de aniversário, o destaque era um repolho envolto em papel laminado (de preferência dourado, pra destacar bem!) e com salsichas e picles espetados em palitos de dente. Festa sem repolho no centro da mesa não era festa!

Poxa vida! No meu próximo aniversário quero um repolho!

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