Crônica VII: Tá na moda
maio 24, 2009 às 9:21 pm | Publicado em Crônicas | Deixe um comentário
Duas amigas conversando…
G: Ai, amiga… Tô tão mal!
F: Por que, amiga?
G: O Pedro me traiu!
F: Mentira! E você sabe pelo menos o nome da vagabunda?
G: Sei… ROGÉRIO!
F: …
Crônica VI – Apê
setembro 21, 2008 às 8:58 pm | Publicado em Crônicas | 1 Comentário
Oscar, em sua casa, tenta ler “A Metamorfose”, de Kafka. Mas os vizinhos não o deixam se concentrar.
Joana, a vizinha de cima, dança muito e ouve funk no último volume.
Ao lado, Joãozinho e seus amigos, Pedrinho e Marquinhos, jogam video game e dão muitas risadas estridentes.
De repente, acaba a luz. Oscar logo pensa nos seus instantes de paz enquanto a energia não volta. No entanto, o sossego acaba quando Joana resolve sair do apartamento e vai, sem talento algum, cantar e dançar no corredor do prédio, onde faz muito eco. Os garotos, por sua vez, saem ao playgroud e começam a brincar de polícia e bandido.
- Pá! Pá! Pá! Pá!
- Pow! Pow! Pow!
- Ah, não! Fui atingido!
- Aaaaaaaahhhhhhhhhh!!!!!
Oscar fecha o livro e para acalmar os nervos, vai até a geladeira beber um suco de maracujá.
Crônica V – Gato por lebre
julho 20, 2008 às 6:46 pm | Publicado em Crônicas | 4 ComentáriosForam à casa de veraneio Suzana, jovem depressiva e cansada com as exigências de seu patrão e Mara, dona da casa.
Depois de horas de viagem, a fome atacando, pausas para ir ao banheiro em postos de gasolina que deixavam a desejar e o CD com os maiores sucessos de Julio Iglesias, finalmente chegam.
Suzana, desesperadamente é a primeira a saltar do carro. Se depara com uma enorme casa, de três andares. Portões majestosos separavam a rua do quintal que era tão grande quanto a casa. De um lado, um gramado bem aparado, tão verde quanto uma esmeralda; do outro, um jardim com as flores mais belas sendo visitadas por lindas borboletas; um caminho de pedras leva a uma varanda espaçosa; crianças rindo, correndo, pulando, brincando; nos fundos, uma grande piscina com trampolim e, ao redor, espreguiçadeiras; um jardineiro regando as plantas faz com que os raios de sol entrem em contato com o jato d’água num lindo casamento, fazendo nascer no ar um singelo arco-íris. Suzana estava quase chorando de tanta alegria, só de pensar nos momentos de paz, descanso e sossego que teria naquele paraíso.
Então, Mara diz:
- Vamos! Entre logo, não faça cerimônias… Fique à vontade! Não se preocupe, pois levarei suas malas! Ande!
Quando já se encaminhava para o palácio, Mara grita:
- Aonde você vai?
- Entrar, ué!
- Pode entrar. Mas, pelo menos, que entre na casa certa!
Vizinho ao sonho, estava o pesadelo. O portão era totalmente tomado por cupins. Uma casa de madeira, caindo aos pedaços, com um “puxadinho” que Mara chamava de varanda onde estava uma rede corroída pelo tempo. No quintal, mato alto, um latão de lixo com moscas-varejeiras rondando, uma mangueira acoplada numa torneira de um tanque velho, um chuveiro enferrujado, um monte de areia depositada logo na entrada (resto de uma reforma inacabada), pneus amontoados de um lado e uma poça d’água servindo de berçário de Aedes.
Todos os planos de Suzana foram por água abaixo. Nunca desejou tanto ouvir novamente a voz de seu patrão berrando em seu ouvido.
Aquela foi a semana mais longa de sua vida.
Agora, Suzana vende suas férias e tornou-se uma workaholic. O dinheiro reservado para sessões com o psicólogo, agora, é voltado para litros e litros de café.

Crônica IV- O bom advogado
junho 3, 2008 às 9:56 pm | Publicado em Crônicas | 1 Comentário
Entram em um elevador dois homens, sendo que um deles é advogado.
No meio do trajeto, o elevador pára. Graças ao nervosismo ou, quem sabe, à feijoada do dia anterior, o advogado deixou escapar um flato, que ocupou, em fração de segundos, o ambiente e sufocou os dois. Seguiu-se uma situação constrangedora: os dois se entreolharam com ares de acusação. Entra em cena a desenvoltura e argumentação de um bom advogado:
- Que falta de educação, meu senhor. Soltar gases em um ambiente tão pequeno! E ainda mais, na presença de um desconhecido! O senhor deveria se envergonhar com uma atitude tão desrespeitosa!
- Mas não fui eu! Só pode ter sido o senhor!
- Eu??! – disse o advogado, com semblante de espanto assombroso – isso só pode ser brincadeira de sua parte, meu senhor! Desde quando um advogado com garbo, sério, respeitoso como eu faria uma coisa horrenda dessas? Assim, o senhor me desrespeita!
- Longe de mim desrespeitá-lo! Mas só estou falando a verdade…
- Verdade? Que verdade? Isso é muito relativo! Para o senhor, a verdade é que fui eu o autor de tal ato! No entanto, para mim, o senhor que disparou-o!
- O senhor está podre!
- Mais uma vez me ofendes! Isso não permitirei!
- Mas o cheiro veio do seu lado!
- O senhor só pode ter assoprado para meu lado, apenas para me acusar!
- Que droga! Não fui eu!
- Lógico que foi! Responsabilize-se por seus atos! O senhor pode estar com algum problema de dormência. Ao soltar, nem percebeu!
Por um instante, o homem se questionou se seria mesmo ele o responsável pela bufa. Encerra-se aí o assunto.
Volta o elevador a funcionar. Chegando ao destino, o advogado sai. Antes da porta fechar-se dá um último olhar reprovador ao “dono” da bazuca anal desregulada. Vira-se e abre um sorriso de dever cumprido. Venceu mais uma causa!
Crônica III – Dona Cotinha
maio 4, 2008 às 10:43 pm | Publicado em Crônicas | 2 Comentários
Dona Cotinha vai à padaria.
Dona Cotinha: – Bom dia!
Atendente: – Bom dia, senhora!
Dona Cotinha: – Do que é aquele pão?
Atendente: – De calabresa.
Dona Cotinha: – E aquele do lado?
Atendente: – Queijo.
Dona Cotinha – E aquele outro?
Atendente: – Frango com catupiry.
Dona Cotinha: – Qual o preço de cada um?
Atendente: – O de calabresa, R$ 1,50, o de queijo, R$ 1,70 e o de frango com catupiry, R$ 2,00.
Dona Cotinha: – Ah!… E aquele bolo? É do quê?
Atendente: – Coco ralado com chocolate.
Dona Cotinha: – E aquele outro?
Atendente: – Doce de leite.
Dona Cotinha: – Quanto custa cada um?
Atendente: – O de coco com chocolate, R$ 15,00 e o de doce de leite, R$ 18,00.
Dona Cotinha: – Ah! Muito obrigada. Não vou levar nada hoje. Passar bem!
Atendente: – …
Crônica II – Seu Miro
abril 4, 2008 às 11:53 pm | Publicado em Crônicas | Deixe um comentárioSeu Argemiro, certo dia, acordou com uma idéia louvável: salvar o planeta!
Mas, para isso, tomou decisões um tanto quanto extremas. Primeiro, adotou o lema “um banho por mês, adeus escassez!”. Depois, decidiu parar completamente o uso de energia elétrica. Aquele “banho por mês”, agora passaria a ser de canequinha. Vendeu sua TV preto e branco, seu rádio ondas curtas, sua vitrola.
Seu ideal vinha do fato dele sempre ter vivido muito bem sem eletricidade no seu tempo de menino. Abriu mão de ouvir seus vinis de Tonico e Tinoco, Inezita Barroso, Zilo e Zalo, Liu e Léo, tudo em defesa da natureza!
Infelizmente, o fim da picada foi o dia em que seu Argemiro decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Sacou sua espingarda e saiu à caça de caçadores. Se por acaso ele encontrasse algum pilantra matando um “bichinho de Noé”, como ele mesmo dizia, o bendito levaria um tiro nos fundilhos. Ia se esgueirando no meio do mato, à procura de um desalmado. Seria capaz de tudo para salvar os pobres animais indefesos.
Porém, numa de suas caçadas, Seu Argemiro fora preso por porte ilegal de arma e desacato à autoridade (nosso matuto tinha a língua solta e como era bronco, não media suas palavras).
Perde-se um grande defensor da Mãe Natureza…
Crônica I – Bráulio
março 14, 2008 às 9:41 pm | Publicado em Crônicas | 2 Comentários
Bráulio Gonçalves Pinto é um pacato senhor que aprendeu na marra a conviver com essa mácula que é seu nome. Além de carregar como seu primeiro nome, um dos muitos simpáticos apelidos do aparelho reprodutivo masculino, Bráulio também tem que aturar o dito-cujo fechando com chave de ouro sua assinatura.
Ele sempre se irritava quando faziam piadinhas de mal gosto com seu nome. Também detestava assinar algo, pois, não podia abreviar o Pinto com um singelo P. Se seu nome fosse Bráulio Pinto Gonçalves, a história seria outra.
Porém, a gota d’água foi com sua chegada ao exército. Ele percebia os olhares e comentários irônicos, quando seu superior o chamava: “Cabo Pinto, apresente-se!”.
Mas Bráulio precisa se conformar. Dizem que Deus nos dá a cruz que podemos carregar. Já Bráulio tem o Pinto que herdou de seu pai. Sem maldade!
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